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A Bauhaus congregou
importantes criadores de vanguarda, que fixaram algumas diretrizes
estéticas que iriam prevalecer em todo o mundo durante o século
XX.
Em 1919, o arquiteto alemão Walter Gropius integrou duas escolas
existentes na cidade de Weimar, a Escola de Artes e Ofícios, do
belga Henri van de Velde, e a de Belas-Artes, do alemão Hermann
Muthesius, e fundou uma nova escola de arquitetura e desenho a que
deu o nome de Staatliches Bauhaus (Casa Estatal de Construção),
com sede em um edifício construído em 1905 por Van de Velde.
As origens mais remotas da Bauhaus provêm do movimento Arts and
Crafts, do inglês William Morris, que procurou restabelecer a dignidade
medieval do artesanato e do artesão. Todavia, o ensino da Bauhaus
opunha-se às concepções de Morris, contrárias à revolução tecnológica
e à produção em série. Também não agradava a Gropius o estilo art
nouveau, devido a seu caráter decorativo e esteticista. A ascendência
mais próxima da Bauhaus está na associação Deutscher Werkbund, fundada
em 1907 por Hermann Muthesius para incentivar as relações entre
os artistas modernos, os artesãos qualificados e a indústria. Muthesius
desejava criar o que chamava de Maschinenstil (estilo da máquina).
Gropius, que foi membro da Werkbund, materializou esse objetivo,
em grande parte, na Bauhaus.
A Bauhaus combatia a arte pela arte e estimulava a livre criação
com a finalidade de ressaltar a personalidade do homem. Mais importante
que formar um profissional, segundo Gropius, era formar homens ligados
aos fenômenos culturais e sociais mais expressivos do mundo moderno.
Por isso, entre professores e alunos havia liberdade de criação,
mas dentro de convicções filosóficas comuns. O ensino era suficientemente
elástico, com a participação, na pesquisa conjunta, de artistas,
mestres de oficinas e alunos. Para Gropius, a unidade arquitetônica
só podia ser obtida pela tarefa coletiva, que incluía os mais diferentes
tipos de criação, como a pintura, a música, a dança, a fotografia
e o teatro. De tal maneira a filosofia da Bauhaus impregnou seus
membros que sem demora se definiu um estilo em seus produtos despidos
de ornamentos, funcionais e econômicos, cujos protótipos saíam de
suas oficinas para a execução em série na indústria. O estilo Bauhaus
era fruto do pensamento dos professores, recrutados, sem discriminação
de nacionalidade, entre membros dos movimentos abstrato e cubista.
Ao iniciar a Bauhaus, Gropius apoiou-se principalmente em três mestres:
o pintor americano Lyonel Feininger, o escultor e gravador alemão
Gerhard Marcks e o pintor suíço Johannes Itten. A eles se juntaram
depois artistas da categoria de Oskar Schlemmer, Paul Klee, Wassili
Kandinski, László Moholy-Nagy e Ludwig Mies van der Rohe. Em 1925,
Josef Albers e Marcel Breuer passaram a fazer parte do grupo.
Ameaçada de dissolução pela forte oposição dos conservadores a suas
inovações, a escola mudou-se em 1925 para Dessau, onde ficou até
o advento do nazismo. Para abrigá-la, Gropius projetou e construiu
um conjunto de prédios que eram, em si mesmos, um manifesto de arquitetura
moderna e uma das mais extraordinárias obras da década de 1920.

As atividades da Bauhaus intensificaram-se em Dessau com o lançamento
de publicações e a organização de exposições. Uma clara mentalidade
racionalista presidia à elaboração dos projetos. Em 1928, Gropius
passou o cargo de diretor ao suíço Hannes Meyer, abandonando a escola,
já então consolidada, junto com Moholy-Nagy e Breuer. A nova direção
deu realce ainda maior à arquitetura e assistiu à chegada das influências
do construtivismo russo. Em 1930, Meyer, cuja postura esquerdista
não era bem vista pelas autoridades, foi substituído pelo arquiteto
alemão Mies van der Rohe. Este reorganizou a escola e deu-lhe um
novo impulso.
Em 1932, com a chegada dos nazistas ao poder em Dessau, a Bauhaus
se transferiu para Berlim, onde continuou a funcionar até seu fechamento
definitivo em 1933. As possibilidades da vanguarda alemã, com isso,
se fecharam também, mas o ensino inovador da Bauhaus já havia se
difundido a essa altura nos principais centros de arte. Tal difusão
tornou-se ainda maior quando os grandes mestres da escola, devido
às perseguições nazistas, passaram a emigrar, principalmente para
os Estados Unidos e a Inglaterra.
Em 1928, Sandor Bortink fundou em Budapest o Mühely, também chamado
Bauhaus de Budapeste, que existiu até 1938. Em 1933, Josef Albers
instalou um departamento do tipo Bauhaus no Black Mountain College
(Carolina do Norte, Estados Unidos) e depois na Universidade de
Harvard. Em 1937, Moholy-Nagy criou em Chicago a New Bauhaus, mais
tarde incorporada ao MIT (Massachusetts Institute of Technology).
Gropius passou a lecionar em Harvard e Mies van der Rohe tornou-se
um dos principais arquitetos da remodelação de Chicago. Em 1950
inaugurou-se em Ulm, na Alemanha, a Hochschule für Gestaltung (Escola
Superior da Forma), dirigida por Max Bill, ex-aluno da Bauhaus de
Dessau. A essa última instituição, em especial, coube dar seguimento
programático às formulações da antiga Bauhaus -- uma escola que
se integrou perfeitamente no contexto da civilização do século XX
para dar-lhe uma visualidade própria.
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