Hannes Meyer
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Nacionalidade

Suiça

Hannes Meyer continua hoje a ser o diretor desconhecido da Bauhaus. As histórias da Bauhaus freqüentemente condensam sua estada de três anos numa única frase. Seu desaparecimento dos livros de história é explicado não apenas pelas seus pontos de vista relacionados às atividades de arquiteto ou diretor da Bauhaus (que sempre lhe causou desgastes internos), mas pelas suas tendências políticas. Só mais recentemente se iniciou uma reavaliação na Alemanha do papel de Meyer.

Logo quando assumiu a direção fez uma reformulação de todo o curso com bases em debates com a participação de todos inclusive dos estudantes. Nas palavras do arquiteto "queríamos modificar e substituir toda a base pedagógica do Instituto por uma base de sociologia, economia e psicologia". Essa reformulação contou com muito desgaste político pois ela valorizava mais a racionalidade, o materialismo e o ensino cientifico e embora fossem apoiadas pela maioria eram opostas a alguns dos nomes de maior peso na Bauhaus.

As aulas de Meyer eram baseadas no seu profundo conhecimento da construção. Para ele, construir era um processo elementar que refletia necessidades biológicas, intelectuais, espirituais e físicas, fazendo assim, com que a "vida" fosse possível. Era por isso, necessário tomar em consideração a totalidade da existência humana. O objetivo de tal arquitetura era o bem estar das pessoas. A Arquitetura devia harmonizar as exigências do indivíduo e da comunidade.

Fizeram parte de seus planos a valorização do trabalho em coletivo, com a especialização de cada um dos membros melhorando sensivelmente o desempenho das "equipes", outro ponto interessante era de a Bauhaus estar inserida em vários concursos públicos e os concorrentes da escola estavam organizados em grupos onde cada um contava com novatos, alunos mais experientes e professores. Fora isto outra "inovação" foram as realizações freqüentes de palestras e cursos sociológicos e biológicos de figuras proeminentes que permitiram a estas ciências uma maior representação na Bauhaus.

Durante a sua direção colocou a Bauhaus numa posição contemporânea: critérios sociais e científicos foram tratados como componentes da mesma importância no processo de elaboração dos projetos. Meyer estava, assim, não só a responder à grave miséria e pobreza em que largas camadas da população viviam, como procurava ao mesmo tempo sistematizar os conhecimentos científicos e sociais disponíveis, integrando-os em todos os ateliers. As atividades dos ateliers deixaram de estar baseadas em cores primárias e formas elementares, para estarem em questões de utilidade, de preços baixos e do grupo social meta. Desapareceram as soluções no espírito de um construtivismo estético; os produtos tornaram-se "necessários, corretos e consequentemente mais neutral...que é possível conceber". Resumindo Meyer conseguiu aumentar de forma espantosa a motivação de trabalho do estudante. Atingiram-se muitos sucessos coletivos: o apartamento popular, o equipamento da Escola Sindical, os apartamentos modelo de Törten e cozinhas protótipo para a Reichsforschungsgesellschaft.

A reorganização quase completa da escola por Hannes Meyer refletia o desejo do novo diretor de redirigir as intenções sociais e políticas da Bauhaus que herdara de Gropius. Deu-se prioridade aos ideais cooperativos: cooperação, equilíbrio harmonioso do indivíduo e da sociedade.

Bibliografia - Bauhaus Archiv, Magdalena Droste, Ed.Taschen
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Autor

Rapahel Vinagre

Data

agosto de 1999



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